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Troca de valores – Síndrome do Certinho

Não é de hoje que observo a troca de valores em nossa sociedade. E isso não é somente com os adultos. As crianças talvez sejam as mais afetadas pela mídia e o modismo do imperfeito ser correto. Está havendo uma troca de valores, o errado ganha proporções em canais de notícias e redes sociais. Um dia desses vi uma postagem de um vídeo com duas garotas brigando, alguém filmou e colocou no ar, o vídeo tinha mais de 10 milhões de visualizações. Mas o ponto principal dessa nossa conversa é o que anda acontecendo em sala de aula. Estou descobrindo uma nova síndrome: A síndrome do certinho. Pois é, ela ataca crianças que vivem em um lar estruturado que ainda mantém regras e bons costumes. Um lar no qual os pais participam das vidas de seus filhos e os corrigem ensinando o que é certo. Essas crianças diante de coisas erradas ou de quebra de regras ou leis sentem-se mal. Sentem-se indignadas pela impunidade. Muitas vezes acabam perdendo o foco da aula por assistir o colega mexendo no celular, ou quebrando outra regra. Parece implicância, mas não é. É a tal síndrome, pois isso incomoda, principalmente pelo fato de não poder fazer nada. Quantas vezes presenciamos em algum supermercado um individuo abrindo uma embalagem e comendo parte do produto e depois abandonando o restante em algum lugar. E o que fizemos? Nada. Pois não é da nossa conta. E assim está o mundo, o mundo dos impunes, nada é da nossa conta. Na escola não é diferente, porém, quem age de maneira correta sente-se lesado, porque qual é o prêmio pelo bom comportamento? Muitas vezes é rotulado de nerd ou apelidos infelizes.

Chamo a atenção para essa nova síndrome porque muitos professores ainda não perceberam que o aluno que age de maneira correta acaba sofrendo bullying dos modernos colegas perfeitamente incorretos e seguidores da moda do avesso. Esse aluno que segue regras e obedece as leis, sofre por engolir “sapos” para evitar confusões e isso acaba trazendo problemas para sua saúde.

O que fazer? Orientar a criança a criar uma barreira de isolamento com suas ferramentas mentais, de modo que somente o que o professor está falando interessa. Deverá haver um desligamento de proteção (filtro) para que essas atitudes incorretas não minem seu campo mental. Venho trabalhando com a cor verde, que regenera, dá firmeza de opinião e resistência. É bem aquilo: “Cada um se vira como pode”. E eu continuo acreditando no estímulo das cores.

 

Texto: Solange Depera Gelles

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