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Estímulos externos


A influência das cores está presente em nosso vestuário, nos ambientes que frequentamos, nos alimentos que comemos: frutas, legumes, vegetais. Esses alimentos não possuem apenas vitaminas, possuem cores. Não vivemos em um mundo preto e branco, vivemos em um mundo colorido. Somos estimulados diariamente sem nosso consentimento. O marketing é utilizador de cores certas para atingir o objetivo, faz uma avaliação de estratégias e posicionamento das empresas e seus produtos no mercado. Tudo isso visando a necessidade do cliente e posteriormente visando a necessidade do fabricante. Examinando o externo: O consumidor. O bom marketing sabe exatamente a cor e o formato da embalagem, a cor estimula o comprador, que é seduzido pela mídia em comerciais que proporcionam a visão de um produto de qualidade. Ao chegar à prateleira do mercado esses produtos têm a embalagem nas cores certas para estimular o consumidor a comprá-lo.

A escola precisa ter as cores certas, está na hora da escola deixar de ser bege, creme, cinza ou azulão. Está na hora da escola ser colorida e utilizar o marketing a seu favor.

A escola é uma grande embalagem, o produto deve ser de qualidade para manter o consumidor interessado. Uma escola com muros amarelos, estimula o educando ao querer. Querer o que? O que tem por trás daqueles muros. Querer o que é oferecido: O conhecimento.

O marketing verdadeiro é aquele feito à longo prazo. Não basta uma bela embalagem estimulante, o produto interno é o que será consumido. Além dos portões e muros que cercam a escola em cores amarelas, o interior deverá estar preparado para esse consumidor tão exigente: o educando. Corrimãos externos e internos podem estar na cor laranja, essa cor integra o grupo, socializa e proporciona facilidade de comunicação entre os indivíduos. Pátios e corredores que levam as salas de aula, pode utilizar tons de azul variados, essa cor estimula o equilíbrio interior, harmoniza. Nas salas de aula, uma parede amarela é o suficiente. Ou se for a preferência da escola, apenas algumas faixas amarelas pintadas nas paredes. Os banheiros em tons de verde, pois o verde estimula a regeneração do organismo. Refeitório com detalhes na cor laranja, que estimula o apetite e torna o ambiente alegre. Até aqui, falamos da embalagem.

Quando propomos uma embalagem tão estimuladora externamente, acabamos entrando no behaviorismo, pois estamos condicionando o educando a algo. Mas algo positivo, o aprendizado e uma organização nos sentidos e órgãos internos. Estamos condicionando a integração com o meio: A escola e o que ela proporciona.

Segundo Watson (1913), o estímulo é externo. E no caso da pedagogia das cores, a recompensa é uma mente sã.

A embalagem está perfeita! Agora precisamos falar do conteúdo, o produto interno.
Para Libâneo (2004) a escola de hoje não tem mais um olhar de redentora da sociedade, pois não é a única mola de transformação social, essa transformação atualmente pertence a várias esferas atuantes de nossa sociedade. Mas ele reforça a ideia de que a escola é insubstituível na preparação e formação das novas gerações em relação às exigências impostas pela sociedade moderna.

Nesta visão da importância da escola é que projetamos a embalagem, e dentro dela estão os professores, os verdadeiros agentes promovedores de mudança e produto de consumo dos educandos. Para termos um produto de qualidade com um marketing a longo prazo é preciso que o professor reconheça o seu compromisso em tornar o aluno um ser pensante e resgate sua capacidade profissional. Aqui fora o mundo é colorido, as mudanças rápidas, pois são promovidas pela globalização criando a situação de desvalorização do professor diante de seu aluno, que fora da escola desfruta de internet, televisão e outros artifícios que possibilitam interação com o mundo e o que está acontecendo em tempo real. O professor deve estar sempre em busca de conhecimento, atualizando-se, adequando-se às mudanças sociais geradas pela globalização. A tendência é de que cada vez mais teremos a tecnologia a disposição do homem, e temos que nos aperfeiçoarmos para compor o “quadro social”. O professor não deve temer a modernização dos meios ou alternativas educativas como a pedagogia das cores, deve interar-se a elas. O mundo muda a cada rotação, ficar estacionado na mesmice e engessado no passado só causará temores ou conservação do que já está aí. Não podemos esquecer as falhas de nossa educação, muita coisa poderá ser mantida e reestruturada, mas muita coisa deve ser mudada para que o objetivo da escola seja alcançado. Tecnologia importa? Sim, importa. Mas não é tudo. Se aqui fora os alunos desfrutam de tanta informação, lá dentro em sua sala de aula o professor poderá utilizar novas metodologias tornando a aula prazerosa. A pedagogia das cores é uma metodologia barata, sem custo algum, uma vez que até mesmo a vestimenta do professor poderá ser um estimulador. O professor deve ter comprometimento e ciência da sua importância na formação de cada indivíduo, somente assim, conseguiremos um país menos desigual.

Texto: Solange Depera Gelles

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